O Golf GTI criou a receita. O CUPRA Leon VZ Extreme pegou nos mesmos ingredientes e deu-lhe um toque bem mais agressivo.
O Volkswagen Golf GTI inaugurou, em 1976, aquele que é hoje um dos nichos mais interessantes para quem procura performance e prazer de condução sem abdicar da praticidade de um carro para o dia a dia: o dos hot hatches.
Uma fórmula que foi muito bem sucedida, mas que hoje está em vias de extinção. Pelo menos no que respeita aos hot hatch com motor de combustão. Os dos Grupo Volkswagen ainda resistem, mas depois não precisamos de todos os dedos de uma mão para os restantes.

O CUPRA Leon VZ Extreme é um dos que resistem, mas que por vezes parece cair no esquecimento. Depois de ter passado alguns dias com um, posso afirmar que é uma das propostas mais interessantes do segmento e aquele que poderá ser um dos maiores problemas do Golf GTI. Nas próximas linhas, explico porquê.
Mírenme
E vamos começar pelo visual. Sei que é um capítulo subjetivo, mas estamos num segmento onde os «olhos comem». E comem muito.
Vou mais longe ao afirmar que quem procura um hot hatch, salvo raras exceções, não deseja necessariamente «passar pelos pingos da chuva». Quer que o carro expresse a mesma atitude que promete ter quando chega a altura de explorar as suas capacidades.
Por isso, contemplemos este coche español que, ao ser um CUPRA, já é sinónimo de vestimentas mais desportivas e provocadoras.
O VZ Extreme, ao ser a versão mais potente e desportiva do Leon, acrescenta elementos específicos, como os para-choques, o sistema de travagem sobredimensionado, o difusor traseiro mais proeminente e as quatro saídas de escape.
Estas últimas, numa altura em que há regras para tudo — até para o som… —, até produzem um som agradável, mas nada que se compare com o que acontecia há uns anos a esta parte. É pena que no modo de condução mais desportivo, grande parte do som que ouvimos no interior seja produzido pelas colunas e pareceu-me sempre demasiado artificial.
Voltando ao visual, até a pintura arroxeada — um opcional de 1133 euros — assenta que nem uma luva neste Leon, dando-lhe o dramatismo certo. Precisamente aquele que associamos à imagem mais irreverente da CUPRA. É diferente, e neste caso para melhor.
Interior com tudo o que precisamos
O interior acompanha o exterior. Os bancos em formato de baquet com costas em fibra de carbono sem dúvida que contribuem para o drama.
E apesar dos seus contornos agressivos, surpreenderam por serem bastante confortáveis — as regulações são muitas, incluindo a de apoio lombar e são também aquecidos — ao mesmo tempo que oferecem imenso suporte para quando o ritmo aumenta.
Tudo o resto é-nos familiar de outras propostas da marca espanhola. E isso não é negativo. Estou até a incluir o par de ecrãs — com 10,25″ e 12,9″, para instrumentação e infoentretenimento, respetivamente —, que são bastante fáceis de operar. Tirem notas, marcas chinesas.
Embora faça parte da geração que cresceu agarrada aos ecrãs, sou um grande defensor de comandos físicos para as funções que usamos recorrentemente durante a condução. A proposta espanhola peca precisamente por não oferecer muitos.
As páginas do ecrã central são personalizáveis e podemos adaptá-las ao nosso gosto, permitindo-nos escolher a informação que queremos ter à vista e fixar até três atalhos no topo do ecrã. Também os sistemas de apoio à condução são fáceis de encontrar.
Deslizar para baixo a partir do topo do ecrã é quanto basta para surgir uma barra com alguns dos sistemas que nos «chateiam» com mais regularidade durante a condução.
¿Llegan aún 300 CV?
Mas chega de conversa fiada, porque em estrada tudo isto acaba por se tornar secundário. Depois de ligar o motor e começar a viagem, são as sensações ao volante que realmente importam.
E o Leon VZ Extreme cumpre e entrega como poucos. A direção é direta e tem o peso certo, que pode variar consoante o modo de condução. A suspensão também não hesita: ao ter 15 níveis de ajustamento, filtra eficazmente as irregularidades quando é preciso e quando as curvas apertam mantém tudo sob firme controlo.

A experiência é interativa, divertida e muito recompensadora, mais do que no «primo» Golf GTI. E é aqui que o Leon VZ Extreme se começa a tornar o maior problema do Golf GTI. Apesar de partilharem a mesma base e mecânica, a CUPRA dá-nos uma interpretação mais agressiva da mesma receita e, para quem gosta, não se vai arrepender.
Y cuando el ritmo se desacelera?
Se a andar depressa convenceu, quando usamos o lado mais familiar e civilizado do Leon, não desiludiu. Afinal, os hot hatch são também carros para serem usados no dia a dia.
Apesar das jantes de 19″ e de se sentir sempre mais firme do que noutros Leon, os níveis mais suaves da suspensão adaptativa permitem filtrar a maioria das irregularidades eficazmente e, como já referi, os bancos são confortáveis.
Neste tipo de utilização, espere consumos entre os os 7,5 l/100 km e os 8,5 l/100 km, em linha com os valores oficiais. Mas se não conseguir resistir a acordar de vez em quando os 300 cv, é demasiado fácil acabar com médias acima dos 10 litros.

Considerando o preço dos combustíveis que temos hoje em dia, o CUPRA Leon VZ Extreme está longe de ser a escolha mais racional, mas não é preciso olhar para os consumos. Basta olhar para o preço.
Lo bueno se paga
Parece que foi há uma eternidade que era possível comprar um hot hatch deste segmento por menos de 50 mil euros. O CUPRA Leon Extreme VZ testado, ultrapassa e muito esse valor: 67 641 euros.
Valor que inclui os opcionais pintura especial Dark Void (1122 euros), as capas dos espelhos retrovisores em carbono (714 euros) e pneus Performance (510 euros).

Lo que es bueno se paga
Agora, uma ressalva: à altura da publicação deste ensaio, este Leon VZ Extreme de 300 cv deixou de estar disponível no configurador nacional da marca. No seu lugar temos uma outra versão, ainda mais potente e com mais binário, com 325 cv e 420 Nm — mais 25 cv e 20 Nm, respetivamente. O preço? Cerca de 67 mil euros.
São as mesmas especificações do Golf GTI Edition 50 e, tal como este, é uma edição limitada. No caso do Leon são 1500 unidades a nível global.
No final, temos uma proposta que parte da mesma base do pai dos hot hatches, mas que lhe dá uma interpretação mais agressiva e provocadora.
E é precisamente por isso que acho que é um dos maiores problemas do Golf GTI: com os mesmos ingredientes do desportivo alemão, consegue ser, muito provavelmente, o melhor hot hatch do Grupo Volkswagen.







